Ajustes…

27 02 2007

Como vocês já devem ter percebido, a nossa queria revista The Bells agora possui uma versão on-line. Tudo novo agora e junto com esta mudança surgem algumas novidades. As atualizações agora não seguirão um padrão mensal ou bimestral. O blog será atualizado constantemente com notícias, matérias, entrevistas, listas e tudo aquilo que nós podemos trazer de exclusivo e novo pra você!

O conteúdo agora está meio bagunçado, mas você já pode encontrar praticamente tudo o que foi publicado na edição #0 da revista impressa. Você também confere algumas matérias que foram preparadas para a edição #1 e que não chegaram a ser publicadas. Algumas já estão meio desatualizadas, mas outras merecem todo destaque como a apresentação da banda SodaCaffé e as maravilhosas entrevistas com as bandas Charme Chulo e Os Lacraus de Portugal. Além de tudo isso foram colocadas outras listas diversas pra você se divertir!

Caso você queira ter mais informações sobre a mudança do zine para a internet, acesse este post! Esperamos receber o seu apoio e suporte, comentando e participando desta comunidade que se forma! Um abraço a todos e muito obrigado!





2007!!!

27 02 2007

O ano de 2006 acabou, e já entramos em 2007. 2006 foi um ótimo ano musicalmente falando. Tivemos alguns grandes cds de nomes de peso como Morrissey, e algumas ótimas descobertas como o Charme Chulo. Tivemos também a volta dos espetaculares Mutantes, mas isso já foi tão discutido que não resta nada a dizer… Mas foi histórico, emocionante. Bom, o que esperar de 2007? Quais seriam os cds mais esperados? Quais seriam os retornos mais esperados?

Bom, entre nós aqui da redação do The Bells, 2 cds estão sendo ansiosamente e freneticamente esperados. O primeiro é das meninas do Eisley (e dos 2 meninos). Eisley é uma banda americana do Texas, inicialmente formada por 4 irmãos e um grande amigo. O amigo logo saiu e entrou um primo dos irmãos em seu lugar, tornando o Eisley uma banda de 5 DuPree’s. Chauntelle, Sherri e Staci são as respectivas vocalistas, compositoras, guitarristas e tecladista da banda, enquanto o irmão Weston é o baterista e o primo Garron o baixista. O primeiro cd da banda saiu em 2005 e se chama Room Noises. A banda que já tinha um “fanbase” considerável na época, foi descoberta “do nada” e antes sequer de ter um cd saiu EUA afora abrindo shows pra bandinhas como o Coldplay e o Snow Patrol. Enviaram uma demo pra poderosa WB (Warner Bros) e além da música ótima que faziam, eram lindas de morrer, uma combinação que fez com que a WB contratasse a banda. Room noises pra mim foi um dos melhores cds de 2005, primeiro porque a banda era iniciante e eu não esperava músicas tão sólidas no cd, segundo porque eu achava que não poderiam compor músicas melhores do que as que já podiam se ouvir em demos na internet afora. A banda atualmente está gravando o seu segundo cd e causa uma espera até dolorosa em algumas pessoas. Pra saber mais www.eisley.com e www.myspace.com/eisley.

Aqui em terras tupiniquins fizemos outro dia um grande achado. Um desses achados que você simplesmente acha ao acaso, nem sequer dando grande crédito a banda. Charme chulo, guardem esse nome! A banda é do Paraná e faz o que poderia ser descrito como Johnny Marr meets Almir Sater, ou The Smiths com musica caipira. Com letras pessoais e melodias praticamente saídas de algum lugar escondido na Inglaterra, a banda é uma ótima mistureba de referências. Apesar de se ouvir ecos de determinadas bandas aqui e ali, o charme chulo tem uma coisa que falta a maioria das bandas, personalidade. Pra mim desde os Los Hermanos não ouço algo tão contundente, e aguardo ansioso esse primeiro cd da banda. Para saber mais www.charmechulo.com.br e www.myspace.com/charmechulo.

Provavelmente teremos também um novo cd dos Los Hermanos e pra mim, em particular, um novo cd do Recoil, fora o novo disco do Modest Mouse agora com JOHNNY MARR como membro oficial da banda. 2007 promete, e depois veremos se nos decepcionamos ou nos impressionamos.

por MM





Santa Lisergia – Danielson

27 02 2007

Pense no que aconteceria se os Flaming Lips se juntassem a Willy Wonka e seus Umpa-Lumpas, de A Fantástica Fábrica de Chocolate, e substituíssem o conjunto de louvor da igreja batista do seu bairro. Ou se o palhaço Bozo assumisse o cargo de maestro do coral da igreja presbiteriana na esquina da sua rua. É mais ou menos isso o que um norte-americano chamado Daniel Smith faz desde 1995 com sua banda, Danielson Famile.

Diferentemente da balela do “Família Scolari”, na Copa do Mundo de 2002, o ‘Famile’ neste caso faz todo o sentido; alguns integrantes da banda possuem grau de parentesco. Tão surreal quanto os sons produzidos pelo grupo e as vestes escolhidas para as apresentações e fotos promocionais está o fato de algo tão criativo e insano partir de cristãos evangélicos; o septeto de New Jersey, que adora se vestir como membros da cruz vermelha, líderados por um rapaz que às vezes usa uma fantasia de árvore, é banda de crente.

Tem algo de anos 60 no som do Danielson Famile. Aquela coisa de sinos, banjos, flautas transversais, trumpetes, vibrafones e outros instrumentos não convencionais disputando espaço com guitarras, baixo e bateria lembra a psicodelia cantada por Jefferson Airplane, Country Joe and the Fish, Third Floor Elevators. E os coros esganiçados das moças que compoem a banda, somados à voz estranha de Smith, ou Bro.Danielson, lembram aquelas comunidades freaks, onde tudo é colorido e muito louco. Graças aos céus, a banda não se leva nem um pouco a sério.

O conceito Danielson Famile nasceu da mente alucinada de Brother Danielson, como tese de conclusão do curso de artes. Músicas interrompidas por gargalhadas, corais com afinação controversa, apelo pop sem adição de clichês do pop; Danielson faz questão de chutar para bem longe qualquer estereótipo do universo envangélico musical. Em entrevista à revista Uncut, ele afirma não entender “música cristã” como categoria. “Escrevo sobre os altos e baixos, as revelações e desapontamentos e milagres do dia-a-dia e meu relacionamento com meu Criador como meu Pai, e eu como seu filho. Estou completamente fascinado por relacionamentos sobrenaturais neste momento, e os detalhes do dia-a-dia: o Senhor está sempre aqui, em todo lugar, falando baixo e esperando (Ele é tão paciente!) que a gente se acalme e ouça. Assim, Ele pode dizer ‘olá, eu te amo’. Tento escrever sobre este lugar onde o eterno encontra o momento. O que quer que isso signifique”.

Daniel Smith é daqueles que sabe que a vida pode ser muito mais divertida se se meter graça nela. Deixando de lado baboseiras do mundo indie de lado, e nem aí para possíveis teorizações sobre a insanidade produzida no palco e reproduzida em disco, ele é parte de um time seleto de cristãos que entenderam que música pop e entretenimento caminham entrelaçados, e que arte feita por cristãos não precisa ser religiosamente engajada. Contrário à idéia de separar o mercado cristão do segmento fonográfico regular – enfim alguém pensou nisso – Danielson surpreende-se com a idéia de manter-se isolado em um gueto religioso com toques mercantilistas. “Não posso acreditar que Jesus queira estar em um mercado”, diz. “Ele não derrubou as mesas?”, adiciona, referindo-se à passagem em que Jesus expulsou os mercadores do templo em Jerusalém.

De mente arejada e convicto de sua fé cristã evangélica, não precisa seguir receitas ou se encaixar em padrões ocos e desprovidos de razão. Ao somar climas lisérgicos a elementos de vanguarda, seu som torna-se inclassificável. O que deixa tudo muito mais divertido e interessante para quem não dá a mínima para rótulos e está atrás do que interessa: música boa.

por Filipe Albuquerque





Ciro Madd em coletânea gringa!

27 02 2007

O artista Ciro Madd, que está para lançar seu primeiro disco cheio pela BossaNoise Records em parceria com a Pisces Records estará presente numa coletânea gringa feita pelo selo independente americado Allalom Records.

A coletânea se chamará Establishing The Anti-Establishment e contará com 15 faixas de artistas independentes dentre os quais apenas Ciro Madd é estrangeiro. Para maiores informações, clique AQUI e acesse o site da BossaNoise.





Entrevista com Os Lacraus

27 02 2007

“Os Lacraus” é uma banda “panque-roque” de Portugal muito curiosa! Com suas letras religiosas, sempre com uma pitada de esculhambação, e registros altamente Lo-Fi, Os Lacraus apareceram certo dia no meu MySpace. Curioso, corri atrás dos caras para uma entrevistinha que você confere aqui e agora!

Primeiramente, quem são Os Lacraus? Quem faz parte da banda e o que faz nela?

Aos Lacraus pertencem Tiago Guillul (que responde a esta entrevista), Miguel Sousa, e Ricardo Oliveira. Todos cantamos, tocamos guitarra, órgão e bateria embora na maioria das vezes eu esteja na guitarra cantando a voz principal, o Guel na bateria e o Ricardo no órgão.

Os Lacraus não é a primeira banda que vocês participam. Quais foram os outros projetos dos quais vocês já participaram.

Ui. Em rigor a resposta teria de ser muito longa, na medida que começámos a tocar juntos em 1993, 94. Mas terei de mencionar os Bible Toons (que mais tarde foram A Instituição) que foram uma espécie de fenómeno local no hardcore punk de Queluz, ainda no final do anos 90. Depois Guel, Guillul & o Comboio Fantasma (de que o Ricardo não fazia parte) que foram o prelúdio daquilo que os Lacraus são actualmente (tocamos mesmo ao vivo alguns temas desse tempo – 2000-2003).

Como vocês classificariam o seu som? Quais são as principais influências?

O nosso som é basicamente panque-roque (punk rock para os puristas). Mas devemos mencionar a importância do soul e de algum blues. Depois tentamos adicionar-lhe um espírito minimamente português, que se aproxime de alguma maneira da música tradicional daqui (não sei se temos sucedido).

Em praticamente todas as canções, notamos um certo tipo de arranjo vocal harmônico muito interessante. De onde vem a inspiração pra fazer este tipo de arranjo, que, devo dizer, torna o som de vocês muito peculiar?

É da tal importância do soul. Também está relacionado com o facto de ao crescermos na igreja ganharmos familiaridade com as harmonias vocais. Somos amarrados em harmonias vocais, como vocês diriam aí.

A estética do som de vocês é nitidamente Lo-Fi. Como é o processo de gravação de suas canções? Isso é proposital ou é resultado daquilo que vocês tem à mão para registrar suas musicas?

O nosso som é lo-fi embora não resulte de nenhuma dedicação exclusiva. Se um dia gravarmos com alta-fidelidade, não será para nós nenhuma blasfêmia.
Sobretudo resulta de aproveitarmos os meios ao dispor e de nos divertirmos bastante com os resultados inesperados que qualquer gravação nos oferece. Creio que a maior parte das bandas não encara o processo de gravação como um prazer. O lado laboratorial dos sons é fascinante. Quando gravamos sabemos bem a canção que vamos tocar mas como as coisas vão soar é sempre uma surpresa. Não levamos grandes planos de como gostaríamos que as coisas soassem. Deixamos que seja o momento a orientar o som e não o oposto. Chamem-lhe música com narrativa. A maior parte das coisas gravadas em estúdio suspende a História, os acontecimentos, as contingências, as limitações. Falta-lhe alguma dose de humanidade.

Constantemente as letras de suas músicas abortam temas cristãos e teológicos. Sendo cristãos, como vocês se vêem dentro do cenário da música independente portuguesa e até mesmo mundial? Vocês se vêem participando de algum tipo de mercado cristão ou coisa assim?

A idéia que mais entusiasma em relação à nossa música é que ela seja eminentemente cristã. Mas reconheço que não me relaciono com a maior parte daquilo a que se chama atualmente música cristã. A música cristã devia ser a mais criativa, a mais literária, a mais suada, a mais charmosa. O que acontece é que a chamada música cristã pouco tem disto. É uma cópia segura do que já fez sucesso e tem objetivos de engordar o rol de membros das igrejas evangélicas. Porque não partilhamos desses objetivos dificilmente podemos ser participantes do mercado cristão.

A banda possui algum objetivo cristão, no sentido de evangelizar as pessoas? Afinal, qual o objetivo da banda e de suas letras?

Se alguém salvar a sua alma através da nossa ajuda que glória será maior? Mas não pensamos em fazer a nossa música com esse tipo de intuito. As nossas canções não são propriamente de persuasão teológica. Tenho algum problema em entender a música com uma determinada agenda. A música não serve para algo. Ela simplesmente é. Será que Bach, que dedicava a sua obra a Deus, tinha por propósito dilatar numericamente a cristandade?
As nossas letras falam de religião porque ela é o que mais essencial existe nas nossas cabeças. Seria impossível colocá-la de lado em qualquer processo criativo.

Algumas de suas letras possuem tons que, para algumas pessoas, podem soar meio ofensivos. Como vocês enxergam suas letras no dentro do contexto cristão em si?

A maior parte dos ouvintes dos Lacraus não são cristãos. Até agora nenhum deles manifestou a sua ofensa com as nossas letras. Ô Éber, o que é que te ofendeu?

Vocês, aparentemente, tem um pequeno selo chamado Flor Caveira. Primeiro, qual o sentido deste nome? Segundo, que tipo de bandas vocês procuram apoiar através deste selo?

A FlorCaveira nasceu num desenho ridículo que uma vez rabisquei num caderno. Uma caveira num vaso, entre as pétalas de uma flor. Depois pensei que o nome soava bem e que se apropriava para uma editora (um sonho que nascia em mim na altura), A Flor enquanto vida, a Caveira enquanto morte. Faz lembrar o Gólgota, né? Sem a morte de Jesus não teríamos esperança de eternidade mas talvez já esteja filosofando em demasia.
A FlorCaveira serve para editar os nossos próprios discos e os dos nossos amigos que consideramos serem bons. Até agora os contemplados restringem-se a um círculo apertado de pessoas que se conhecem bem entre si. Mas não está colocada de parte a possibilidade de vir a editar grupos de gente fora das nossas amizades.
Por norma, eu produzo os discos com condições razoavelmente domésticas. Para manter o prazer na produção discográfica. Agrada-nos a ideia que os artistas da FlorCaveira sejam todos cristãos. Por que razão há-de ter o Diabo toda a boa música?





Entrevista com a banda Charme Chulo

27 02 2007

Eu não me lembro muito bem de como cheguei a conhecer a banda Charme Chulo. Acho que foi quando eles vieram tocar aqui em São Paulo e rolou alguma coisa em alguma lista de email. Alguém disse que era “música caipira misturado com The smiths”! Não me aguentei de curiosidade e fui correndo procurar saber que raio de som essa banda fazia. Agradável descoberta foi conhecer “Charme Chulo”, que está prestes a lançar seu primeiro disco cheio agora em fevereiro de 2007. Tivemos a grande oportunidade de fazer uma entrevista via e-mail com Igor Filus e Peterson Rosário, vocal e baixo respectivamente. Entrevista esta que você confere a seguir!

Como vocês chegaram à impressionante, inusitada e estranha (com tendências a soar altamente brega) mistura de alt rock com música caipira numa jogada Harry Houdini, fazendo isso não só soar bem, mas ser legal, altamente legal e xicletoso (no bom sentido)?

A semente inicial da banda, o Igor Filus e o Leandro Delmonico, ouviam inicialmente muito rock inglês oitentista e rock alternativo até que começaram a se sentir meio incompletos, digamos assim, e um tempo mais tarde encontraram na música caipira (de raiz) aquilo que viria os completar. Assim surgiu o Charme Chulo, com a proposta desta mistura. Então a partir disso, deixamos de nos sentir constrangidos por ouvir e fazer apenas músicas sofisticadas (como as do rock inglês), por estarmos também ao lado do verdadeiro povo brasileiro, mais especialmente o povo do nosso estado, o Paraná.

Ouvindo o EP, dá pra sacar umas influências de The Smiths, mas em algumas músicas como “Não Deixe a Vida Te Levar”, há ecos de Franz Ferdinand com The Doves. Mesmo assim, a música não fica fora da mistura que vocês fazem, e remete a alguns sons regionais gauchescos no fim. Quais as bandas preferidas de cada um?

O Igor é um grande fã de Leonard Cohen, Sinéad O’Connor, Cocteau Twins, David Bowie, Belle & Sebastian. O Leandro fica com The Smiths, The Clash, Almir Sater, Tião Carreiro.
O Peterson gosta de Bjork, The Thrills, Pepe Deluxe e The Coral. E o Rony fica mais com a praia do punk 77, além do Cash e essa turma caipira da pesada.

Outra coisa que chama a atenção na banda são as letras de teor, digamos, “intimista” com passagens como “não vou dormir os dias com bicho de pé”. Quem é o autor dessas pérolas do cancioneiro popular brasileiro?

As letras são do Igor, o vocalista, porém com importantes participações do Leandro, guitarrista e violeiro. Na verdade, como a busca estética da banda está mais ou menos encaminhada nas nossas cabeças, acaba não importando muito quem faz o que exatamente. Por exemplo, agora o baixista, Peterson Rosário pode vir a pensar e guardar uma frase qualquer interessante que venha a se encaixar numa futura música, simplesmente porque ele sabe também onde precisamos chegar. Mas em fim, o maior responsável pela organização geral das músicas e também da composição das melodias é o Igor.

Conheci a banda não faz muito tempo, mas desde Los hermanos não ouço
alto tão contundente e interessante. Vocês têm consciência dessa singularidade ou vão fazendo músicas despretensiosamente?

O rock já tem muita coisa despretensiosa. O nosso lance é fazer algo diferente e, ao mesmo tempo, coeso. A viola e os flertes com o regionalismo não são à toa, temos essa proposta do chulo/charmoso e buscamos esses elementos pra evidenciar. Los Hermanos mesclou suas influências do rock com o samba, ritmo regional carioca. O Paraná vai ficar com o caipira mesmo.

Da última pergunta, também fazia parte da questão se vocês se acham o último Doritos do pacote. Pra deixar tudo regional, vocês acham que o “barreado” de vocês é mais salgado que o dos outros? (Alta pesquisa regionalista para fazer essa importante pergunta)

Temos consciência do nosso particularismo, mas não nos vemos como alguém que tem a verdade na mão. As músicas foram muito bem elaboradas por sermos exigentes na sonoridade e nos conceitos. É também uma questão de pesquisa regionalista, com certeza e medo nenhum de assumir nosso caipirismo, vamos assim dizer. Não nos sentiríamos completos fazendo algo que deixasse de lado muitas coisas que nos cercam durante toda a vida.

A primeira coisa que a gente percebe quando vê uma foto de vocês é que o visual é simples, porém “friamente calculado”. Vocês realmente pretendem, com as fotos de divulgação, aproximar a banda da música caipira brasileira?

Essas roupas também tem algo a dizer. É como se vestem algumas pessoas daqui. Mas tem outros grupos de caipiras espalhados por aí, dividindo o mesmo cenário. É pra esses que a gente tenta mostrar a música caipira brasileira. Até seria interessante se o Brasil fosse colado na Europa, mas não é. Por isso, vivemos num país muito mais interessante, cheio de afetações.

Quais bandas vocês tem ouvido ultimamente, e vocês acham que a cena independente brasileira finalmente começou a se mexer e dar seus frutos? Afinal, WRY sai desde sempre no NME e o CSS está em tour com importantes bandas electro.

Ouvimos muita banda alternativa (ou nova, anos 2000) nacional. É, a cena tem se mexido há tempos. Eu acho que desde o início da década a coisa vem aumentando ano a ano. Quem tá ligado, sabe mais ainda, é bem perceptível. O profissionalismo está melhorando também, espaço da mídia, público, evolução tecnológica, Internet, etc… vários fatores tem colaborado pra tudo isso. Acho que uma característica deste momento, inclusive, é o crescimento contínuo e progressivo de tudo, nada de estouro do dia pra noite, como acontecia antigamente. É assim, cada tempo tem seu jeito de acontecer e os fatores são inúmeros, como já foi dito, desde o fator histórico, mundial, influenciando o jeito das pessoas comporem, o que pensarem, agirem. E é um momento turbulento, mas interessante pro mundo, pra dita raça humana.

Ficamos sabendo que agora, em Janeiro, vocês estarão lançando seu CD. Este lançamento mantém a mesma proposta das músicas do EP, ou vamos ter agradáveis surpresas ao ouvi-lo? Conte-nos um pouco deste novo CD!

Eu acho que agradáveis surpresas ao ouvi-lo. Agora em dezembro estaremos disponibilizando mais uma surpresa dessas pro público “Solito A Reinar” mais um música de trabalho, e em fevereiro, mais precisamente, já teremos cds a venda. Inclusive a arte do cd está linda viu gente!! Sobre as influencias musicais, elas estão um pouco mais oitentistas e contemporâneas do lado rock e do lado caipira tentamos aprofundar a idéia já proposta no EP. Tem as músicas coringas, como “Amor de Boteco” mais vingativa, rsrs, ao sertanejo brega mesmo; “Intriga de Cinco Pessoas” flertando com o gauchesco, o vanerão, afirmando mais umas das frentes de batalha estéticas da banda, hehe; “Romaria dos Desvalidos” o lado mais regional do disco; “Geada no Seu Coração” uma canção de fechamento; e as outras como “A Caminho das luzes…”, “Apaixonante na Tristeza” como potenciais música de trabalho, sem contar as que já estão pra download, incluindo as duas regravações do EP: “Piada Cruel” e “Polaca Azeda”.

Nós agradecemos muito pela participação de vocês nesta entrevista. Gostariam de deixar alguma mensagem aos seus fãs e futuros fãs?

Nós agradecemos o carinho de todos que nos permitem a existência da banda. Desde aquele fã que fica na frente do palco pulando e gritando, até aquele que ainda não foi a algum show, mas conhece a banda, ou admira. São uns aqui, outros ali, mas aos poucos vemos uma “nação” Charme Chulo, repleta de pessoas que se identificam de certa forma com tudo que queremos transmitir.

Agradeço muito ao MM por ter colaborado com mais de 95% das perguntas aqui contidas!





Top 10 sites de musica do ano de 2006

27 02 2007

É, eu adoro listas…

10º – Three Imaginary Girls
Pelo título já da pra perceber que este não é só mais um site de música. Com tom sempre divertido, o site traz resenhas de discos, shows, filmes, teatro, entrevista, tudo concentrado na região noroeste dos EUA, com base em Seattle, a cidade mais rock n roll do mundo (cof, cof). Tenho colegas que escrevem pra este site, e é basicamente por causa disso que ele está nesta lista!

9º – CokeMachineGlow (http://cokemachineglow.com/)
Imagine um Pitchfork mais simpático, mas bonito, com conteúdos menos arrogantes. Parece muito legal né? Então corra para o CokeMachineGlow!

8º – The Hype Machine (http://hype.non-standard.net/)
Imagine um site que liste todas as mp3 de diversos blogs de mp3 feitos em diversos pontos do mundo? É isso que o The Hype Machine faz, trazendo o que há de mais novo no mundo indie direto para as suas orelhas, sem bla bla bla!

7º – Pitchfork
Tá, sei lá… Pitchfork sempre vai estar neste tipo de listinha porque os caras estão em todos os lugares cobrindo tudo o que há de mais novo no mundo independente musical. Não quer dizer que eu goste do site. Particularmente, acho os caras muito metidos, se sentem os donos da verdade, mas fazer o que, eles sabem de tudo mesmo!

6º – PopMatters
Na verdade eu não conheço muito o PopMatters… Nunca fui de frequentar. Mas eles fizeram uma entrevista muito legal com Richard Swift uma vez, o que foi suficiente pra eu gostar muito do site! Com milhares de matérias iradas sobre o mundo da música pop (independente inclusive), PopMatters é uma delícia para se navegare ficar por dentro das últimas.

5º – MySpace
A opinião é unânime. MySpace é um site péssimo, com um sistema lento e um design horroroso. Incrivelmente, nada impede que atualmente o site tenha mais cadastros do que o Orkut. Incrível não? A receita do sucesso? A capacidade de você conhecer sons diversos e entrar em contato com suas bandas favoritas. Não é legal? Tirando a paciência que você tem que ter pra aturar o site, MySpace é diversão!

4º – Pandora
E por acaso música tem DNA? É isso que o Pandora vem tentando provar! No site você indica uma banda, e eles tentam encontrar músicas de outras bandas relacionadas! Você ainda pode se cadastrar e fazer seleções próprias, criar relações e etc. Ótimo pra você que está atras de sangue novo nas playlists.

3º – last.fm
De iníco, a idéia parecia boba. Apenas um site que registra as músicas e artistas que você ouve no seu programa favorito fazendo charts semanais, mensais, anuais e etc. E daí? E daí que você pode conhecer pessoas com gostos parecidos com os seus, formar comunidades, conhecer bandas novas através de seus novos “amigos” last.efiemianos e muito mias. O site tem outros recursos, mas estes são os mais divertidos!

2º – eMusic
Com certeza, a melhor loja de música (mp3) para qualquer brasileiro. Embora alguns discos MUITO legais não estejam disponiveis para o Brasil, uma centena de outros, que não podemos comprar pelo maldito iTunes, pode ser baixado por uma bagatela mensal. Lá você encontra pérolas como Sufjan Stevens, Neutral Milk Hotel, Neko Case, The New Pornographers, Anathallo e muito mais!

1º – YouTube
Tá bom, o YouTube não é um site de música, mas isso não é problema. O importante é que o “YouTube killed the MTV star” e agora você pode ver todos os clipes do mundo de todos os tempos e de todas bandas, com a vantagem de escolher o horário, a playlist, comentar, votar e tudo mais! Não é demais?





Se liga – SodaCaffé

27 02 2007

SodaCaffé é mais uma banda do sul, mas… Não é como as bandas do sul geralmente são, e isto é bom, porque ela podia ser de qualquer lugar do Brasil, ou do mundo, que não faria a menor diferença. Acho que os conheci quando, certo dia, adicionaram o MySpace deste zine no MySpace deles. Curioso que só, fui verificar o som da banda e tive uma agradável surpresa!

A banda, formada por Leandro (baixo), Bruno (teclados e efeitos), Marcel (guitarra e voz) e Diogo (bateria), possui bandas adoráveis na lista de influências: Yo La Tengo, Mutantes (que estão de volta IHA!), Acid House Kings (que conheci ano passado, banda maravilhosa), e outras. Como você pode perceber, as bandas são um tanto diferentes entre si, e isso é bom, porque o som do SodaCaffé também não é parecido com nada disso. Pode ter uma pitadinha disso aqui, uma pitadinha daquilo ali, mas a banda possui um som muito original, utilizando sons de tecladinhos infantis e efeitos de guitarra inusitados aliados a melodias grudentas. O som, de acordo com o site do selo da banda, é uma mistura de Blueboy, Club 8 e Harper Lee, e o que é melhor, em português!

Diz a lenda que, este ano a banda deve lançar seu primeiro disco pelo selo peruano Plastilina Records. Será que vamos ter acesso a este material aqui? Tudo indica que sim, e aguardo ansiosamente por isto!

MySpace: http://www.myspace.com/sodacaffe
Selo: http://plastilinarecords.com





Lançamentos mais aguardados de 2007

27 02 2007

Algumas coisas já rolaram, outras estão pra rolar, mas pra evitar qualquer confusão, aí vai uma lista sem numeração pra você ficar por dentro do que realmente vai valer (ou já valeu) a pena ouvir este ano de 2007! Confira:

Eisley
O novo disco desta banda de meninas (e 2 meninos) é um dos discos mais esperados pra este ano. Dizem elas que o disco está muito bom, e muito melhor que o primeiro, Room Noises. Seria isto possível? O disco está sendo produzido por Richard Gibbs, tecladista da extinta banda Oingo Boingo, e produtor de mais de 150 discos, sem contar as mais de 50 trilhas sonoras para filmes.
Data de lançamento: Provavelmente, 1º de Abril

Charme Chulo
O primeiro disco cheio desta banda que caiu nas graças da galera do The Bells, com um som caipira + pitadas de Smiths e outras coisas vindas da Inglaterra, deve ser lançado no começo do ano. Não perca!!!
Data de lançamento: Fevereiro (???)

Brothers Martin
É, talvez, para mim, o disco mais aguardado do ano. O que acontece quando Joy Electric (Ronnie) se junta com Starflyer (Jason)? Este é o resultado desde disco que apresenta os dois irmãos, juntos novamente, depois de tanto tempo em suas bandas separadas. Estão falando que o disco está parecido com The Smiths e New Order. Precisa falar mais? Não vejo a hora!
Data de lançamento: 23 de Janeiro

Shins
Os queridinhos da música independente estão de volta e nós não vemos a hora de ouvir novas canções embaladas por estes caras, que não nos desapontaram nos seus dois primeiros discos.
Data de lançamento: 23 de Janeiro

Richard Swift
Será? Será que depois de tanta espera, tantos boatos, tanta embolação, finalmente vamos ter “Dressed Up For The Letdown” em nossas mãos? Tudo indica que sim. O selo de Swift divulgou uma data, e agora, só nos resta aguardar!
Data de lançamento: 20 de fevereiro

Joy Electric
Apesar do lançamento do disco que fez, juntamente com seu irmão Jason, Ronnie irá colocar um novo disco nas prateleiras das lojas em 2007. Trata-se de The Otherly Opus, disco que está sendo ansiosamente aguardado por todos os fans (então estou no meio). Diz Ronnie que é um de seus melhores discos. Uh la la!
Data de lançamento: 20 de Março

The Inoocence Mission
Se tem uma banda que eu adoro, TIM é uma delas! Apesar de terem lançado um disco com canções de ninar a não muito tempo (finalzinho de 2004), não vejo a hora de ouvir canções novas deste grupo maravilhoso!
Data de lançamento: 13 de Março

Explosions In The Sky
Conheci esta banda ano passado e me apaixonei totalmente. Suas músicas instrumentais são viagens deliciosas, cheias de progressões, momentos de calmaria, e ápices emocionantes. O novo disco, intitulado “All Of A Sudden I Miss Everyone” é com certeza, mais um disco extremamente esperado para 2007.
Data de lançamento: 20 de Fevereiro

Arcade Fire
A banda sensação de 2004/2005 vai voltar aos holofotes com seu novo disco, a ser lançado no início do ano. E fique ligado que através da Slag Records, o novo disco deles terá lançamento simultâneo aqui no Brasil!
Data de lançamento: Meados de Março

Radiohead
Os caras já fizeram alguns shows ai com músicas novas, e nada de bobagens eletrônicas incompreensíveis! YAY!
Data de lançamento: Alguma data neste ano ainda… É o que dizem!





Top 10 de 2006

27 02 2007

Adeus ano velho, feliz ano novo! O ano de 2007 já chegou e agora é hora de parar, fazer os balanços e apontar novos objetivos. Confira agora um pequeno especial que preparamos para vocês com os melhores discos do ano passado, os melhores sites e o que nos aguarda em 2007!
2006 foi um ano de muitos lançamentos. Tantos lançamentos que foi muito difícil fazer uma lista de apenas 10 discos, mas acho que conseguimos separar alguns que valem a pena ser comentados. Talvez esta lista fuja um pouco do que já foi visto em outros meios. Não quer dizer que somos do contra ou qualquer coisa assim. Na verdade, concordamos com grande parte das listas já publicadas. Queremos, no entanto, dar um pouco mais de destaque a algumas bandas que não apareceram tanto por aí e que você deveria dar uma olhada! E os 10 melhores discos do ano para o The Bells são…

10º – Wolfmother – Wolfmother
Esta banda australiana conseguiu um lugar de destaque na mídia mundial ao introduzir seu primeiro disco com músicas altamente influenciadas por Black Sabbath e Led Zeppelin. Com performances ao vivo divertidíssimas, Wolfmother foi uma das boas surpresas do ano de 2006.

9º – Viva Voce – Get Yr Blood Sucked Out
Viva Voce é uma banda formada pelo casal (casados de verdade) Kevin & Anita Robinson, bateria/vocal e guitarra/vocal respectivamente. Seu mais novo disco é tão genial como os que o antecedem, mantendo as influencias hippies e orientais, mas deixando tudo mais açucarado para uma degustação muito mais deleitosa! Faixas como “We Don’t Fuck Around” e “From the Devil Himself” são músicas que já nasceram clássicas!

8º – Starflyer 59 – My Island
Este é um disco que criou muita controvérsia. Alguns dizem ser algo genial, outros, nem tanto. Na minha opinião, Starflyer fez um de seus piores discos em My Island, porém, até mesmo o pior de Jason Martin é suficiente para figurar entre os 10 mais ano, porque não deixa de ser um disco muito bom!

7º – Flaming Lips – At War with the Mystics
É o melhor disco da carreira deles? Não, com certeza… Mas é um disco dos Flaming Lips e isso só pode significar uma coisa: MUITA DIVERSÃO! Se tem uma banda em quem podemos confiar, esta banda é Flaming Lips que, talvez, nunca tenha lançado um disco ruim em sua carreira.

6º – Muse – Black Holes And Revelations
Este novo disco tem tudo o que Absolution tinha e um pouco mais. É sempre uma delícia quando você vê uma banda assim evoluindo e procurando alternativas sonoras, ao invés de martelar sempre as mesmas coisas nas nossas cabeças (alguém ai disse emo?). Com melodias pegajosas (como sempre) e se aproximando, por vezes, da música eletrônica, Muse conseguiu criar um disco totalmente novo, cheio de coisas que “nunca ouvimos antes” (não vindo deles) mas sem deixar o apelo pop de lado!

5º – mewithoutYou – Brother, Sister

Esta banda nunca chamou muito a minha atenção. Seu primeiro disco era muito “esquisito”. Poesias gritadas sobre instrumentos tocando post-hardcore não era minha praia. O lançamento do segundo disco “Catch for Us the Foxes” já chamou mais a minha atenção, com uma instrumentação mais rebuscada e “Brother, Sister” fechou, de uma vez por todas as portas do preconceito que haviam sido abertas no meu coração. Este é um disco genial! A proposta ainda é a mesma, poesia sobre música. Se isso parece chato pra você, é porque você ainda não ouviu mewithoutYou. O som já não é mais tanto post-hardcore, dando espaço a melodias e harmonias bem trabalhadas e alegres!

4º – Danielson – Ships
Com a ajuda de amigos de bandas como Deerhoof, Sufjan Stevens, Why?, Serena Maneesh, Leopulde e Half-handed Cloud, Daniel Smith volta com tudo num disco estupendo chamado Ships. Seu som lisérgico está mais forte do que nunca, porém, muito mais acessível com uma pegada pop forte. Definitivamente, um dos melhores do ano!

3º – Anathallo – Floating World
Não, Anathallo não esta copiando Sufjan Stevens em Floating World. Na verdade, este disco é o resultado de um amadurecimento resultante da convivência entre os sete integrantes da banda durante anos que antecedem qualquer tentativa musica de Sufjan Stevens. O conceito do disco em si já é genial: baseado numa história folclórica japonesa, o disco conta a história de um cachorro morto, criando ambientes sonos diferenciados, nunca antes visitados. Não é à toa que o disco ficou uns 3 meses na minha playlist.

2º – Gomez – How We Operate
Nunca tinha ouvido esta banda até mais ou menos o meio de 2006. Logo que tive contato com a música “See The World” não pude deixar de buscar pelas outras músicas deste disco maravilhoso. Definitivamente, merece estar nesta posição por ser um dos discos mais sólidos de 2006, onde todas as faixas poderiam ser singles com facilidade, e embora a mistura de folk + country + pop esteja um pouco saturada, Gomez faz isso com uma maestria invejável, não deixando muito espaço para comparações.

1º – Jars of Clay – Good Monsters
Foi difícil escolher entre Good Monsters e How We Operate, mas Jars of Clay acabou saindo na frente e faturando o primeiro lugar neste ano. Isto porque JOC é uma banda que não para de se reinventar! Good Monsters não é diferente, e apresenta uma sonoridade conhecida, mas totalmente diferente. Confuso? Nem tanto. Depois do seu projeto “country” a la Johnny Cash, JOC retorna à veia rock com um som mais energético e alegre do que nunca, além de outras canções, igualmente lindas embaladas pela voz de Dan Haseltine e contando com os ótimos arranjos do restante da banda. Enfim… Não adianta muito eu ficar falando aqui. Ouça! Uma experiência incomparável!