Entrevista com Wild Robson – Space Bossa

7 03 2007

Wild é um apaixonado pela música! Sua “one-man-band”, Space Bossa, apresenta sons inspirados pelas grandes guitar bands dos anos 90 e cativa com melodias e letras pop da melhor qualidade. Confira agora uma entrevista exclusiva feita com Wild Robson!

Olá Wild! Primeiramente, gostaríamos de agradecer pela oportunidade de fazer esta entrevista. Conte-nos um pouco mais sobre a origem do Space Bossa. Quando começou? Quem são os integrantes?

>>> Na verdade eu tinha uma banda chamada Moon Drinks nos anos 90, um trio de indie rock. Acreditávamos que éramos a melhor banda mundo (risos) e enquanto isso eu gravava a demo sozinho no porão de uma discoteca sem saber o que era, pois era tão original que o nome da primeira demo era Wild Space Bossa, como se fosse um termo e não o nome da banda. Enfim, Space Bossa é um projeto solo sem ter meu nome como artista.

No som de vocês agente percebe muito bem a influência de bandas tanto dos anos 80 e 90 com new wave e shoegaze. Quais são as bandas que mais te influenciam?

>>> Na verdade, na época do Moon Drinks, eu era louco por Stone Roses, Primal Scream, Chapterhouse, Soup Dragons, aquela galera de Manchester. Mas antes eu tocava bateria em uma banda de The Smiths Cover, então gosto de Jesus and Mary Chain, New Order… Poucas bandas dos anos 80, basicamente anos 90. Mas o Space Bossa é uma tentativa de fazer algo muito exclusivo, não cito referências. Sinto no Space Bossa uma música com influências do espaço, nada terráqueo, pois é uma abdução sonora.

As influências guitarreiras nós até que entendemos, mas de onde veio a idéia de adicionar elementos da MPB no som?

>>> Tipo, ainda nos anos 90, sem ser saudosista (risos), as coisas eram difíceis pra bandas que cantavam em inglês. Alguns programas de TV e todas as rádios vetavam. Como no Moon Drinks cantávamos em inglês, resolvi fazer um som gringo que as pessoas pensassem que era brasileiro. Vim para confundir! O Space Bossa é uma guitar band disfarçada de música brasileira. O pior é que as pessoas acreditam (risos). Só que como já disse, o Space Bossa é um som espacial. O mais engraçado é que eu não conhecia bandas dos anos 60. Depois que eu gravei a primeira demo, conheci o Pato Fu primeiro pra depois conhecer Os Mutantes. Acho-me um idiota por isso e super criativo ao mesmo tempo, pois não tinha influência deles, só me identifiquei depois.

Vocês já têm algum material lançado? Estão com planos de lançar alguma coisa nova neste ano ainda?

>>> Na verdade gravei duas demos nos anos 90. O som era tão louco e tosco que muita gente riu, mas logo logo saiu por uma gravadora de São Paulo, a WoodLand Records, ou melhor, o Bosque Records. Em 2001 gravei o segundo disco todo sozinho, também feito em casa. Esse disco era só pra pista de dança, mas ele foi polêmico. Foi gravado em CakeWalk, um programinha ralé, mas ganhei elogios de muita gente, inclusive do Carlos Trilha e vários DJs. Era um disco instrumental e abriu portas. Toquei em diversos lugares por conta disso. Agora estou preparando o terceiro cd que está bem melhor e considero o primeiro da carreira, pois estou fazendo com calma. Mesmo assim ele será apenas o início. Quero evoluir pra fazer a revolução. O primeiro cd está sendo relançado pela Pisces Records. Acredito que o Space Bossa esteja voltando ao início neste ciclo e com certeza vai surpreender.

Você está numa região metropolitana do Rio de Janeiro. Como tem sido o posicionamento do Space Bossa no cenário independente carioca?

>>> Boa pergunta. Cara, somos a espinha na garganta de muita gente (risos). Tipo, moro na baixada fluminense, lugar dominado pela violência e por modismos manipulados pelas TVs e Rádios, mas isso não é obstáculo. Já toquei no Claro Hall, no mesmo palco que já tocou Blur, Morrissey, Coldplay e etc… Muita banda que tem grana pra pagar jabá vai morrer e nunca vai tocar lá (risos). Também já toquei na Less Artistes, restaurante francês na gávea. Só a entrada do lugar era 50 pratas na época (risos). Quando as pessoas chegavam perto de mim pra conversar não acreditavam que eu era de Caxias (risos). Toquei também na Marina Glória, no Mercado Mundo Mix, local totalmente da elite, que tem barcos, iates e tal (risos). Mas gosto de tocar é na baixada porque a galera nunca entende nada após os shows. Como já disse, é uma abdução musical e acreditem, conheço vários artistas famosos e não estou no circuito carioca. É muito mais fácil tocar em Londres do que na Zona Sul do Rio, porque tudo é manipulado por meia dúzia de bandas frustradas que não vale a pena nem citar o nome, que fazem uma panelinha. Enquanto isso estou ficando famoso pelo resto do Brasil e do mundo pela Internet (risos). Como já disse, já toquei nos melhores palcos do Rio e um dos mais importantes shows foi um convidado pelo baterista do Barão Vermelho, Guto Goffi, que é uma pessoa fantástica e está até na comunidade do Space Bossa. Deve ser por pena, pra dar moral (risos). Brincadeirinha!

Falando do Brasil como um todo, o que vocês acham do atual mundo independente? Você concorda que o indie é o novo pop?

>>> Cara, depende. Hoje os rótulos indies não são como os de antigamente. As bandas de hoje são secundárias. As melhores ficaram pra trás, mas tem artistas bons aí. É só procurar saca? Mas pode crer que a maioria é ruim e muito ruim mesmo, tipo Cansei de Ser Sexy (risos), por exemplo. Aquilo é uma piada. Os bons não vou citar porque ajudei muita gente e nunca fui citado.

Conte-nos um pouco da sua trajetória no registro de suas canções. Como você começou a gravá-las e como as grava hoje em dia?

>>> É, antigamente era muito caro gravar e ainda ficava uma bosta. Sempre fui um compositor compulsivo, mas não consigo recurso pra gravar da forma que quero mais. Agora gravo em Pro Tools e o melhor esta por vir. Quando as pessoas pensarem que o último disco será a cartada, tenho um trunfo na manga que ninguém espera sobre um produtor foda. Talvez o mais foda de todos. Estamos trocando umas figurinhas, mas isso é outro papo. Só posso dizer que Arnaldo, dos Mutantes, é padrinho da banda dele.

Além do Space Bossa, você está envolvido com outros projetos musicais?

>>> Sim, com o meu evento beneficente, o Indispensável. E talvez eu apareça com um projeto novo chamado Psicodrops, mas tem que ser tudo arquitetado direito, pois será um parâmetro musical bem diferente do Space Bossa. Tenho que deixar a poeira baixar pois estou acreditando muito neste próximo disco. Só falta uma música pra terminar o projeto.

Conte-nos um pouco mais sobre este seu evento beneficente.

>>> É… Acho covardia fazer eventos pra ganhar dinheiro em cima do trabalho da banda. Por aqui é tudo deprimente. As pessoas fazem eventos horríveis pra ganhar dinheiro só com bandas covers deprimentes, pois são artistas frustrados que querem ser os artistas verdadeiros. O pior é que tem gente que paga pra ir nesses lugares com um som horrível. O público é mais engraçado do que o de baile funk. Os organizadores acreditam que estão fazendo “O Evento”. Pensam que são o Medina e que estão fazendo o Rock In Rio (risos). Eu, no entanto, faço a parada estruturada com som bom, maneirasso, sempre com bandas com sons autorais. Já trouxe o Moptop, o Charme Chulo de Curitiba, o Leela, o Min, o Cigarettes. Enfim… Pergunte a essas bandas como foi o evento. Eles sempre foram gratos e acharam um sonho a qualidade do Indispensável Festival, que vai voltar este ano revelando novos talentos indies. Apenas indie, nada de modismos.

O que você tem ouvido ultimamente?

>>> Cara, não consigo parar de ouvir Stone Roses. Eles mudaram minha vida. Antes eu era fã de Smiths só que eu era muito cabeça e acho que essa pretensão de ser poeta e tal é coisa de anos 80. Agora, os anos 90 foram, com certeza, a melhor fase das bandas indies. As famosas gringas atuais pra mim são deprimentes. Prefiro ouvir Low Dream e Brincando de Deus do que ouvir Strokes. Como posso ouvir um som que os caras tocam menos que eu. Quem viu e pode ver e tem certeza disso. Quando o Primal Scream veio ao Brasil, destruiu todas as bandas que já tocaram no Tim Festival e no baixo estava o baixista do Stone Roses (risos).

Só mais uma última pergunta pra esclarecer. O seu nome é Wild mesmo?

>>> É, podem acreditar (risos). Nunca gostei de nome artístico, acho isso muito cafona, mas a origem do meu nome é muito engraçada. Foi por um erro! Meu nome seria Will Robson, por causa da série dos anos 60, Perdido no Espaço, mas como meu pai é filho de espanhol e me registrou no Brasil, com o sotaque na hora do registro o tabelião errou ao registrar ficando Wild Robson. Acho que ficou mais original, assim como meu som, minhas guitarras e minhas influências, que já vieram de berço. Aos 5 anos fui abduzido e aí sim começou a história do Wild Space Bossa (risos)

Nós agradecemos muito pela oportunidade! Sucesso pra vocês!

Wild Robson - Space Bossa

A pedidos de Wild Robson, comentários anônimos realiados neste post serão excluídos. 





Entrevista com Josh Dooley (MAP-SF59)

3 03 2007

Map é mais uma guitar band da ensolarada Califórnia com influências diversas indo desde The Smiths até Slowdive. Por guitar band não entenda que esta seja uma banda barulhenta, mas que sabe usar a guitarra bem para conduzir as harmonias e melodias cuidadosamente trabalhadas, na maioria das vezes, pela mente principal da banda Josh Dooley. Josh Dooley é uma figura a ser respeitada neste meio. Sendo, também, o atual guitarrista da banda Starflyer 59 de Jason Martin, já trabalhou com diversas outras bandas. Tudo isso você confere nesta entrevista exclusiva que pudemos fazer com o próprio Josh. Enjoy!

Teu som revela referências de coisas dos anos 80. Smiths talvez seja a referência mais forte do som do Map, e isso fica bem evidente nos arranjos vocais. De que modo o pop britânico daquela década mexe com você, ou te faz pensar em prosseguir fazendo música?

Pra mim houve muitas pessoas audaciosas nos anos 80. Creio que The Cure era uma banda muito inovadora assim como Echo & The Bunymen, nenhuma das duas se pareciam com Wham! ou Culture Club e elas escreviam músicas muito boas. Acho que os anos 80 foram tempos bons para o pop. Por mais que você não goste da maneira como eles cantavam ou odeie teclados você tem que admitir que existiram grandes canções.

Jason Martin, do SF59, já disse em entrevistas que os Smiths foram fundamentais na formação musical dele. Pode estar aí uma das razões da força melódica encontrada nos discos do SF59. Você entende que, neste sentido, a influência juntou vocês dois musicalmente?

De fato, alguns amigos em comum nos influenciaram muito quando estávamos no colégio (em escolas diferentes) porque diziam eles “Wow, você toca guitarra de um jeito que parece com The Smiths. Você deveria conhecer nosso amigo Jason. Ele toca bateria e parece com The Smiths”.

Hoje o segmento independente virou hype. A facilidade que a internet proporciona para divulgar bandas e criar cenas tornou tudo muito acessível a qualquer um que esteja conectado à rede, em qualquer canto do mundo. E até o momento, crítica e público só encontram benefícios nesta via democrática, que se tornou a web, para a música pop universal. Tudo isso levou o indie rock a um passo do mainstream. Você vê algum ponto negativo nisso tudo?

Não. Existem maneiras diversas de se encontrar música e eu percebo que os gostos das pessoas está se tornando mais diverso.

Você costuma fazer downloads? O que acha do mp3?

Eu adoro baixar musicas as 3 da madrugada usando meu pijama.

O que você tem ouvido atualmente?

Lily Allen, Asobi Seksu, Beck e National Public Radio (que é uma versão americada da radio BBC)

Além do Map e do SF59, está envolvido com outros trabalhos musicais?

Sim, muitos outros. Kat Jones, Fine China, Hank Floyd, Pony Express, Phoenix Coleman, Calico Sunset, Winston and The Telescreen e The Dalloways.

Está satisfeito com o suporte da Velvet Blue Music?

Sim. Eu considero Jeff meu melhor amigo e me orgulho muito das músicas lançadas pela VBM. E sinto como se eu ajudasse o selo a prosseguir.

Já conseguiram rodar todo os Estados Unidos com a banda? Há planos de alguma turnê fora do país?

Eu adoraria ir ao Brasil ou Tókio ou qualquer outro lugar num segundo. Só preciso de um bom agente.

Vocês estão trabalhando em algum novo material para um disco cheio agora?

Eu tenho feito alguns demos devagar para um disco cheio ultimamente e é só isso.

Com quais produtores o Map trabalhou até agora?

Jason Martin e Richard Swift.

Nós agradecemos muito a sua participação nesta entrevista. Esperamos que vocês continuem fazendo sucesso e que nós possamos ajudá-los de alguma forma!





Entrevista com Os Lacraus

27 02 2007

“Os Lacraus” é uma banda “panque-roque” de Portugal muito curiosa! Com suas letras religiosas, sempre com uma pitada de esculhambação, e registros altamente Lo-Fi, Os Lacraus apareceram certo dia no meu MySpace. Curioso, corri atrás dos caras para uma entrevistinha que você confere aqui e agora!

Primeiramente, quem são Os Lacraus? Quem faz parte da banda e o que faz nela?

Aos Lacraus pertencem Tiago Guillul (que responde a esta entrevista), Miguel Sousa, e Ricardo Oliveira. Todos cantamos, tocamos guitarra, órgão e bateria embora na maioria das vezes eu esteja na guitarra cantando a voz principal, o Guel na bateria e o Ricardo no órgão.

Os Lacraus não é a primeira banda que vocês participam. Quais foram os outros projetos dos quais vocês já participaram.

Ui. Em rigor a resposta teria de ser muito longa, na medida que começámos a tocar juntos em 1993, 94. Mas terei de mencionar os Bible Toons (que mais tarde foram A Instituição) que foram uma espécie de fenómeno local no hardcore punk de Queluz, ainda no final do anos 90. Depois Guel, Guillul & o Comboio Fantasma (de que o Ricardo não fazia parte) que foram o prelúdio daquilo que os Lacraus são actualmente (tocamos mesmo ao vivo alguns temas desse tempo – 2000-2003).

Como vocês classificariam o seu som? Quais são as principais influências?

O nosso som é basicamente panque-roque (punk rock para os puristas). Mas devemos mencionar a importância do soul e de algum blues. Depois tentamos adicionar-lhe um espírito minimamente português, que se aproxime de alguma maneira da música tradicional daqui (não sei se temos sucedido).

Em praticamente todas as canções, notamos um certo tipo de arranjo vocal harmônico muito interessante. De onde vem a inspiração pra fazer este tipo de arranjo, que, devo dizer, torna o som de vocês muito peculiar?

É da tal importância do soul. Também está relacionado com o facto de ao crescermos na igreja ganharmos familiaridade com as harmonias vocais. Somos amarrados em harmonias vocais, como vocês diriam aí.

A estética do som de vocês é nitidamente Lo-Fi. Como é o processo de gravação de suas canções? Isso é proposital ou é resultado daquilo que vocês tem à mão para registrar suas musicas?

O nosso som é lo-fi embora não resulte de nenhuma dedicação exclusiva. Se um dia gravarmos com alta-fidelidade, não será para nós nenhuma blasfêmia.
Sobretudo resulta de aproveitarmos os meios ao dispor e de nos divertirmos bastante com os resultados inesperados que qualquer gravação nos oferece. Creio que a maior parte das bandas não encara o processo de gravação como um prazer. O lado laboratorial dos sons é fascinante. Quando gravamos sabemos bem a canção que vamos tocar mas como as coisas vão soar é sempre uma surpresa. Não levamos grandes planos de como gostaríamos que as coisas soassem. Deixamos que seja o momento a orientar o som e não o oposto. Chamem-lhe música com narrativa. A maior parte das coisas gravadas em estúdio suspende a História, os acontecimentos, as contingências, as limitações. Falta-lhe alguma dose de humanidade.

Constantemente as letras de suas músicas abortam temas cristãos e teológicos. Sendo cristãos, como vocês se vêem dentro do cenário da música independente portuguesa e até mesmo mundial? Vocês se vêem participando de algum tipo de mercado cristão ou coisa assim?

A idéia que mais entusiasma em relação à nossa música é que ela seja eminentemente cristã. Mas reconheço que não me relaciono com a maior parte daquilo a que se chama atualmente música cristã. A música cristã devia ser a mais criativa, a mais literária, a mais suada, a mais charmosa. O que acontece é que a chamada música cristã pouco tem disto. É uma cópia segura do que já fez sucesso e tem objetivos de engordar o rol de membros das igrejas evangélicas. Porque não partilhamos desses objetivos dificilmente podemos ser participantes do mercado cristão.

A banda possui algum objetivo cristão, no sentido de evangelizar as pessoas? Afinal, qual o objetivo da banda e de suas letras?

Se alguém salvar a sua alma através da nossa ajuda que glória será maior? Mas não pensamos em fazer a nossa música com esse tipo de intuito. As nossas canções não são propriamente de persuasão teológica. Tenho algum problema em entender a música com uma determinada agenda. A música não serve para algo. Ela simplesmente é. Será que Bach, que dedicava a sua obra a Deus, tinha por propósito dilatar numericamente a cristandade?
As nossas letras falam de religião porque ela é o que mais essencial existe nas nossas cabeças. Seria impossível colocá-la de lado em qualquer processo criativo.

Algumas de suas letras possuem tons que, para algumas pessoas, podem soar meio ofensivos. Como vocês enxergam suas letras no dentro do contexto cristão em si?

A maior parte dos ouvintes dos Lacraus não são cristãos. Até agora nenhum deles manifestou a sua ofensa com as nossas letras. Ô Éber, o que é que te ofendeu?

Vocês, aparentemente, tem um pequeno selo chamado Flor Caveira. Primeiro, qual o sentido deste nome? Segundo, que tipo de bandas vocês procuram apoiar através deste selo?

A FlorCaveira nasceu num desenho ridículo que uma vez rabisquei num caderno. Uma caveira num vaso, entre as pétalas de uma flor. Depois pensei que o nome soava bem e que se apropriava para uma editora (um sonho que nascia em mim na altura), A Flor enquanto vida, a Caveira enquanto morte. Faz lembrar o Gólgota, né? Sem a morte de Jesus não teríamos esperança de eternidade mas talvez já esteja filosofando em demasia.
A FlorCaveira serve para editar os nossos próprios discos e os dos nossos amigos que consideramos serem bons. Até agora os contemplados restringem-se a um círculo apertado de pessoas que se conhecem bem entre si. Mas não está colocada de parte a possibilidade de vir a editar grupos de gente fora das nossas amizades.
Por norma, eu produzo os discos com condições razoavelmente domésticas. Para manter o prazer na produção discográfica. Agrada-nos a ideia que os artistas da FlorCaveira sejam todos cristãos. Por que razão há-de ter o Diabo toda a boa música?





Entrevista com a banda Charme Chulo

27 02 2007

Eu não me lembro muito bem de como cheguei a conhecer a banda Charme Chulo. Acho que foi quando eles vieram tocar aqui em São Paulo e rolou alguma coisa em alguma lista de email. Alguém disse que era “música caipira misturado com The smiths”! Não me aguentei de curiosidade e fui correndo procurar saber que raio de som essa banda fazia. Agradável descoberta foi conhecer “Charme Chulo”, que está prestes a lançar seu primeiro disco cheio agora em fevereiro de 2007. Tivemos a grande oportunidade de fazer uma entrevista via e-mail com Igor Filus e Peterson Rosário, vocal e baixo respectivamente. Entrevista esta que você confere a seguir!

Como vocês chegaram à impressionante, inusitada e estranha (com tendências a soar altamente brega) mistura de alt rock com música caipira numa jogada Harry Houdini, fazendo isso não só soar bem, mas ser legal, altamente legal e xicletoso (no bom sentido)?

A semente inicial da banda, o Igor Filus e o Leandro Delmonico, ouviam inicialmente muito rock inglês oitentista e rock alternativo até que começaram a se sentir meio incompletos, digamos assim, e um tempo mais tarde encontraram na música caipira (de raiz) aquilo que viria os completar. Assim surgiu o Charme Chulo, com a proposta desta mistura. Então a partir disso, deixamos de nos sentir constrangidos por ouvir e fazer apenas músicas sofisticadas (como as do rock inglês), por estarmos também ao lado do verdadeiro povo brasileiro, mais especialmente o povo do nosso estado, o Paraná.

Ouvindo o EP, dá pra sacar umas influências de The Smiths, mas em algumas músicas como “Não Deixe a Vida Te Levar”, há ecos de Franz Ferdinand com The Doves. Mesmo assim, a música não fica fora da mistura que vocês fazem, e remete a alguns sons regionais gauchescos no fim. Quais as bandas preferidas de cada um?

O Igor é um grande fã de Leonard Cohen, Sinéad O’Connor, Cocteau Twins, David Bowie, Belle & Sebastian. O Leandro fica com The Smiths, The Clash, Almir Sater, Tião Carreiro.
O Peterson gosta de Bjork, The Thrills, Pepe Deluxe e The Coral. E o Rony fica mais com a praia do punk 77, além do Cash e essa turma caipira da pesada.

Outra coisa que chama a atenção na banda são as letras de teor, digamos, “intimista” com passagens como “não vou dormir os dias com bicho de pé”. Quem é o autor dessas pérolas do cancioneiro popular brasileiro?

As letras são do Igor, o vocalista, porém com importantes participações do Leandro, guitarrista e violeiro. Na verdade, como a busca estética da banda está mais ou menos encaminhada nas nossas cabeças, acaba não importando muito quem faz o que exatamente. Por exemplo, agora o baixista, Peterson Rosário pode vir a pensar e guardar uma frase qualquer interessante que venha a se encaixar numa futura música, simplesmente porque ele sabe também onde precisamos chegar. Mas em fim, o maior responsável pela organização geral das músicas e também da composição das melodias é o Igor.

Conheci a banda não faz muito tempo, mas desde Los hermanos não ouço
alto tão contundente e interessante. Vocês têm consciência dessa singularidade ou vão fazendo músicas despretensiosamente?

O rock já tem muita coisa despretensiosa. O nosso lance é fazer algo diferente e, ao mesmo tempo, coeso. A viola e os flertes com o regionalismo não são à toa, temos essa proposta do chulo/charmoso e buscamos esses elementos pra evidenciar. Los Hermanos mesclou suas influências do rock com o samba, ritmo regional carioca. O Paraná vai ficar com o caipira mesmo.

Da última pergunta, também fazia parte da questão se vocês se acham o último Doritos do pacote. Pra deixar tudo regional, vocês acham que o “barreado” de vocês é mais salgado que o dos outros? (Alta pesquisa regionalista para fazer essa importante pergunta)

Temos consciência do nosso particularismo, mas não nos vemos como alguém que tem a verdade na mão. As músicas foram muito bem elaboradas por sermos exigentes na sonoridade e nos conceitos. É também uma questão de pesquisa regionalista, com certeza e medo nenhum de assumir nosso caipirismo, vamos assim dizer. Não nos sentiríamos completos fazendo algo que deixasse de lado muitas coisas que nos cercam durante toda a vida.

A primeira coisa que a gente percebe quando vê uma foto de vocês é que o visual é simples, porém “friamente calculado”. Vocês realmente pretendem, com as fotos de divulgação, aproximar a banda da música caipira brasileira?

Essas roupas também tem algo a dizer. É como se vestem algumas pessoas daqui. Mas tem outros grupos de caipiras espalhados por aí, dividindo o mesmo cenário. É pra esses que a gente tenta mostrar a música caipira brasileira. Até seria interessante se o Brasil fosse colado na Europa, mas não é. Por isso, vivemos num país muito mais interessante, cheio de afetações.

Quais bandas vocês tem ouvido ultimamente, e vocês acham que a cena independente brasileira finalmente começou a se mexer e dar seus frutos? Afinal, WRY sai desde sempre no NME e o CSS está em tour com importantes bandas electro.

Ouvimos muita banda alternativa (ou nova, anos 2000) nacional. É, a cena tem se mexido há tempos. Eu acho que desde o início da década a coisa vem aumentando ano a ano. Quem tá ligado, sabe mais ainda, é bem perceptível. O profissionalismo está melhorando também, espaço da mídia, público, evolução tecnológica, Internet, etc… vários fatores tem colaborado pra tudo isso. Acho que uma característica deste momento, inclusive, é o crescimento contínuo e progressivo de tudo, nada de estouro do dia pra noite, como acontecia antigamente. É assim, cada tempo tem seu jeito de acontecer e os fatores são inúmeros, como já foi dito, desde o fator histórico, mundial, influenciando o jeito das pessoas comporem, o que pensarem, agirem. E é um momento turbulento, mas interessante pro mundo, pra dita raça humana.

Ficamos sabendo que agora, em Janeiro, vocês estarão lançando seu CD. Este lançamento mantém a mesma proposta das músicas do EP, ou vamos ter agradáveis surpresas ao ouvi-lo? Conte-nos um pouco deste novo CD!

Eu acho que agradáveis surpresas ao ouvi-lo. Agora em dezembro estaremos disponibilizando mais uma surpresa dessas pro público “Solito A Reinar” mais um música de trabalho, e em fevereiro, mais precisamente, já teremos cds a venda. Inclusive a arte do cd está linda viu gente!! Sobre as influencias musicais, elas estão um pouco mais oitentistas e contemporâneas do lado rock e do lado caipira tentamos aprofundar a idéia já proposta no EP. Tem as músicas coringas, como “Amor de Boteco” mais vingativa, rsrs, ao sertanejo brega mesmo; “Intriga de Cinco Pessoas” flertando com o gauchesco, o vanerão, afirmando mais umas das frentes de batalha estéticas da banda, hehe; “Romaria dos Desvalidos” o lado mais regional do disco; “Geada no Seu Coração” uma canção de fechamento; e as outras como “A Caminho das luzes…”, “Apaixonante na Tristeza” como potenciais música de trabalho, sem contar as que já estão pra download, incluindo as duas regravações do EP: “Piada Cruel” e “Polaca Azeda”.

Nós agradecemos muito pela participação de vocês nesta entrevista. Gostariam de deixar alguma mensagem aos seus fãs e futuros fãs?

Nós agradecemos o carinho de todos que nos permitem a existência da banda. Desde aquele fã que fica na frente do palco pulando e gritando, até aquele que ainda não foi a algum show, mas conhece a banda, ou admira. São uns aqui, outros ali, mas aos poucos vemos uma “nação” Charme Chulo, repleta de pessoas que se identificam de certa forma com tudo que queremos transmitir.

Agradeço muito ao MM por ter colaborado com mais de 95% das perguntas aqui contidas!





Entrevista com Frank Lenz

27 02 2007

Recentemente me encontrei com o artista da Hidden Agenda, Frank Lenz. Eu gostaria de agradecer ao Frank por ter concordado em fazer esta entrevista.

Você trabalhou em diversos lançamentos da Velvet Blue Music e também tocou nas bandas Starflyer 59 e Headphones (com David Bazan). Por que você parou?

Eu deixei minha esposa em 2005 e tive um colapso nervoso. Menti pro Jason e pro Dave sobre o porque não poderia participar das turnês então eu não toco mais com eles. Com relação à VBM eu só posso supor, então eu não vou falar nada. Existem muitas pessoas que eu machuquei durante este tempo, então algumas respostas podem ser abruptas.

Onde as pessoas podem comprar Conquest Slaughter?

Eu acho que a Hidden Agenda tem algumas cópias.

Seu ultimo disco, VileLenz and Thieves contem alguns temas muito sinistros e letras muito intrigantes. Este album foi muito pessoal pra você de alguma forma?

Eu fiz algumas merdas na minha vida, mas nada foi pior do que o que eu fiz com minha ex-mulher. Esse disco foi escrito durante este tempo e o resultado foi este.

Em VileLenz and Thieves, existe uma canção com a seguinte linha “Conquest Slaughter, moron fodder”. Você poderia explicar o que esta linha em particular quer dizer pra você?

Eu acho que esse disco é um monte de bosta. Quando eu o fiz, estava animado… Na época parecia um passo lógico mas acabou se tornando confuso pra mim. Eu queria ser ouvido mais do que aquilo que eu tinha para dizer, e eu não estava preparado. Dito isso, no fim das contas, as faixas 1 e 4 são boas.

Qual dos seus discos você tem mais orgulho e porque?

Nenhum.

Na sua opinião, qual é a melhor canção que você escreveu?

Eu acho que estou escrevendo coisas melhores agora, mas isso nós só vamos descobrir depois. Estou empolgado com as novas canções que ando escrevendo. Estou tentando fazer uma ponte entre a auto-expressão e a musicalidade.

Você pode dizer como será o seu próximo disco e quem vai tocar nele?

Eu quero trabalhar com Blake Westcott. Acho que vai funcionar porque ele é muito bom. Basicamente sou eu quem toco tudo em tudo o que faço e isso esta ficando enjoativo, além de não soar tão bom, então quero mudar isto.

Eu acabei de ouvir Last Temptation hoje e eu acho que tem algumas das minhas musicas favoritas dentre as que você ja escreveu. Agora que você esta trabalhando com a Hidden Agenda Records (Parasol), você gostaria de lança-lo da maneira apropriada?

Obrigado. Apesar de eu gostar de algumas das canções deste disco, eu prefiro que ele não seja lançado. Não é ruim, mas não é minha cara.

Você ainda produz? Se sim, com quem você esta trabalhando?

Eu ajudei um cara chamado Jared Colinger… um cara muito legal. Também trabalhei com uma compositora chamada Amy Cooper, você deveria verificar o som dela. Ela uma grande mulher e muito boa amiga. Também devo dizer que trabalhei com uma banda chamada Blvd. Eu produzi o disco deles e não cheguei nem perto de fazer justiça ao som deles. Uma banda de rock muito boa.

Você e o Richard Swift costumavam fazer muitos trabalhos juntos. Você espera trabalhar com ele novamente em alguma coisa?

Não.

Você tem planos de sair em turnê pra tocar seu material solo?

Eu adoraria. Ninguém nunca me chamou e eu não tenho a minha idéia de como me agenciar, então se alguém quiser um bundão pra abrir algum show, estou disponível.

Diga-nos alguma coisa que você gostaria que todos soubessem sobre Frank Lenz.

Eu posso ser um monte de merda, mas pelo menos sou eu quem estou te dizendo.

Obrigado, Frank.

Entrevista feita por John, do blog Plugged





Entrevista com Ciro Madd

27 02 2007

Eu (Éber Freitas Dias) tive a grande oportunidade de entrevistar o multi-instrumentista e compositor Ciro Madd. Aproveitem!

Olá Ciro! Tudo bem contigo? Para começarmos, gostaria que você dissesse um pouco mais sobre sua vida musical e onde você está hoje.

Bem… Minha vida musical começou bem cedo. Meu pai sempre foi fanático por música, então desde que eu me entendo por gente eu escuto música, e sempre adorava quando meu pai ligava a “eletrola” para ouvir as músicas dele. Com sete anos entrei para um coral de meninos cantores e lá iniciei meus estudos teóricos e também piano e canto. Daí pra frente nunca parei.

E o que o seu pai costumava ouvir nessa época?

Ah, muita música clássica. Chopin, Vivaldi e música italiana como Beniamino Gigli. Acho que o primeiro samba que eu ouvi inteiro eu já devia estar com uns 14 ou 15 anos. Foi um choque [risos]!

Legal! Como você definiria o som que você faz hoje e quais são suas principais influências?

Bem… Hoje acho que a música que eu faço é uma grande mistura de tudo o que eu já ouvi e que me influencia, inclusive o samba! Mas tudo isto em uma roupagem rock. Não conseguiria elaborar uma definição ou rótulo. Minhas influências vão de Baden Powell a Beatles. Tudo que me toca, de algum modo eu sintetizo nas minhas músicas.

Eu bem ia perguntar sobre a música brasileira nesse processo, mas agora deixa!

A música brasileira é a música mais linda do mundo!

Bom, e você sempre realizou este trabalho mais solitário, ou já participou/participa de bandas e etc.?

Na verdade montei minha primeira banda quando eu tinha 13 anos, aliás, com essa idade gravei minha primeira música sozinho num esquema bem rústico com dois gravadores de microfone e tal. Sempre toquei em bandas com som próprio. Dos 16 aos 20 anos praticamente já havia tocado na maioria dos Estados brasileiros, com bandas como o Deep Noise, o Brother Rapp. Paralelamente a isso tocava em bandas profissionais para levantar uma graninha [risos].

Por falar em gravar sozinho, como você encara esse processo caseiro e esse desejo de produzir sua própria música, mesmo sem os recursos mais adequados? Como funcionou pra você e como funciona hoje? Hoje você tem um estúdio caseiro não é?

Boa pergunta. Gravar sozinho nasceu da minha necessidade de, mesmo tento acompanhado excelentes músicos, dar a minha interpretação aos vários instrumentos que eu aprendi a tocar. Adoro todos os instrumentos musicais. Sei que é impossível,mas gostaria de tocar todos. Com relação ao processo técnico, acredito que os melhores estúdios nasceram da coragem dos técnicos em desbravar novos recursos de gravação e de exploração da tecnologia existente. Não me dou por satisfeito nunca. Acho que essa é uma boa dica para que o músico desta geração de “home studiers” é de sempre tentar gravar ou masterizar cada vez melhor.E sim, eu montei um estúdio caseiro e venho tentado sempre melhorar a captação e a qualidade das mixagens e tudo o mais. Acho que é assim que funciona pra mim.

Se alguém quiser visitar o seu estúdio, marcar um dia pra gravar e etc. tem como?

[risos] Claro. Não se trata de um estúdio de última geração, mas acho fundamental ajudar as novas bandas que mesmo tendo ou não recurso financeiro para investir, ainda não sabem muito bem como capturar suas idéias! As portas estão abertas!

Você se considera também um produtor?

Sim, alias, uma das fases mais gostosas de realizar num trabalho é a fase da produção musical, da edição das trilhas, do atualmente denominado “sound design”. Adoro essa parte do caminho.

Mudando um pouco de assunto, como você vê o cenário da música independente no Brasil hoje? Quais as bandas que você acha que tem tudo pra estourar?

A música independente no Brasil é bem legal. Gosto de bandas como Valv, Superbug. Mas andei ouvindo umas bandas bem legais no site da Tramavirtual. Não sou muito bom em mercado da música mas se, por exemplo, bandas como Mopho estourassem na rádio eu não ia reclamar não.

Para finalizar, algumas perguntinhas rápidas! O que tem ouvido ultimamente?

Keane. O último disco é muito bom!

Uhmm… Bebida favorita?

Água tônica com duas rodelas de limão!

E comida?

Uau… Cara, eu sou fissurado por macarronada [risos]!!

E por falar nisso, onde agente pode ouvir suas músicas, adquirir cd’s e etc?

Na página da Tramvirtual [www.tramavirtual.com.br/ciro_madd]! Ou então entre em contato pelo e-mail ciromadd@gmail.com para comprar edições em CD-R dos meus discos!

Certo! Bom eu acho que é isso então! Agente agradece muito a sua participação e desejamos todo sucesso ai na sua vida, seja lá o que isso signifique pra você! Alguma palavra final para seus fãs ou para aqueles que se tornarão fãs de agora em diante?

Primeiramente, muito obrigado a você Éber, pela oportunidade de poder estar aqui! Para os que já conhecem e gostam do meu som gostaria de enviar telepaticamente meus melhores pensamentos! E para aqueles que virão: Sejam muito bem vindos! Valeu!

P.S.: Atualmente Ciro Madd está trabalhando com o selo independente BossaNoise Records para lançar seu primeiro disco cheio intitulado The Last Soup!