Wild é um apaixonado pela música! Sua “one-man-band”, Space Bossa, apresenta sons inspirados pelas grandes guitar bands dos anos 90 e cativa com melodias e letras pop da melhor qualidade. Confira agora uma entrevista exclusiva feita com Wild Robson!
Olá Wild! Primeiramente, gostaríamos de agradecer pela oportunidade de fazer esta entrevista. Conte-nos um pouco mais sobre a origem do Space Bossa. Quando começou? Quem são os integrantes?
>>> Na verdade eu tinha uma banda chamada Moon Drinks nos anos 90, um trio de indie rock. Acreditávamos que éramos a melhor banda mundo (risos) e enquanto isso eu gravava a demo sozinho no porão de uma discoteca sem saber o que era, pois era tão original que o nome da primeira demo era Wild Space Bossa, como se fosse um termo e não o nome da banda. Enfim, Space Bossa é um projeto solo sem ter meu nome como artista.
No som de vocês agente percebe muito bem a influência de bandas tanto dos anos 80 e 90 com new wave e shoegaze. Quais são as bandas que mais te influenciam?
>>> Na verdade, na época do Moon Drinks, eu era louco por Stone Roses, Primal Scream, Chapterhouse, Soup Dragons, aquela galera de Manchester. Mas antes eu tocava bateria em uma banda de The Smiths Cover, então gosto de Jesus and Mary Chain, New Order… Poucas bandas dos anos 80, basicamente anos 90. Mas o Space Bossa é uma tentativa de fazer algo muito exclusivo, não cito referências. Sinto no Space Bossa uma música com influências do espaço, nada terráqueo, pois é uma abdução sonora.
As influências guitarreiras nós até que entendemos, mas de onde veio a idéia de adicionar elementos da MPB no som?
>>> Tipo, ainda nos anos 90, sem ser saudosista (risos), as coisas eram difíceis pra bandas que cantavam em inglês. Alguns programas de TV e todas as rádios vetavam. Como no Moon Drinks cantávamos em inglês, resolvi fazer um som gringo que as pessoas pensassem que era brasileiro. Vim para confundir! O Space Bossa é uma guitar band disfarçada de música brasileira. O pior é que as pessoas acreditam (risos). Só que como já disse, o Space Bossa é um som espacial. O mais engraçado é que eu não conhecia bandas dos anos 60. Depois que eu gravei a primeira demo, conheci o Pato Fu primeiro pra depois conhecer Os Mutantes. Acho-me um idiota por isso e super criativo ao mesmo tempo, pois não tinha influência deles, só me identifiquei depois.
Vocês já têm algum material lançado? Estão com planos de lançar alguma coisa nova neste ano ainda?
>>> Na verdade gravei duas demos nos anos 90. O som era tão louco e tosco que muita gente riu, mas logo logo saiu por uma gravadora de São Paulo, a WoodLand Records, ou melhor, o Bosque Records. Em 2001 gravei o segundo disco todo sozinho, também feito em casa. Esse disco era só pra pista de dança, mas ele foi polêmico. Foi gravado em CakeWalk, um programinha ralé, mas ganhei elogios de muita gente, inclusive do Carlos Trilha e vários DJs. Era um disco instrumental e abriu portas. Toquei em diversos lugares por conta disso. Agora estou preparando o terceiro cd que está bem melhor e considero o primeiro da carreira, pois estou fazendo com calma. Mesmo assim ele será apenas o início. Quero evoluir pra fazer a revolução. O primeiro cd está sendo relançado pela Pisces Records. Acredito que o Space Bossa esteja voltando ao início neste ciclo e com certeza vai surpreender.
Você está numa região metropolitana do Rio de Janeiro. Como tem sido o posicionamento do Space Bossa no cenário independente carioca?
>>> Boa pergunta. Cara, somos a espinha na garganta de muita gente (risos). Tipo, moro na baixada fluminense, lugar dominado pela violência e por modismos manipulados pelas TVs e Rádios, mas isso não é obstáculo. Já toquei no Claro Hall, no mesmo palco que já tocou Blur, Morrissey, Coldplay e etc… Muita banda que tem grana pra pagar jabá vai morrer e nunca vai tocar lá (risos). Também já toquei na Less Artistes, restaurante francês na gávea. Só a entrada do lugar era 50 pratas na época (risos). Quando as pessoas chegavam perto de mim pra conversar não acreditavam que eu era de Caxias (risos). Toquei também na Marina Glória, no Mercado Mundo Mix, local totalmente da elite, que tem barcos, iates e tal (risos). Mas gosto de tocar é na baixada porque a galera nunca entende nada após os shows. Como já disse, é uma abdução musical e acreditem, conheço vários artistas famosos e não estou no circuito carioca. É muito mais fácil tocar em Londres do que na Zona Sul do Rio, porque tudo é manipulado por meia dúzia de bandas frustradas que não vale a pena nem citar o nome, que fazem uma panelinha. Enquanto isso estou ficando famoso pelo resto do Brasil e do mundo pela Internet (risos). Como já disse, já toquei nos melhores palcos do Rio e um dos mais importantes shows foi um convidado pelo baterista do Barão Vermelho, Guto Goffi, que é uma pessoa fantástica e está até na comunidade do Space Bossa. Deve ser por pena, pra dar moral (risos). Brincadeirinha!
Falando do Brasil como um todo, o que vocês acham do atual mundo independente? Você concorda que o indie é o novo pop?
>>> Cara, depende. Hoje os rótulos indies não são como os de antigamente. As bandas de hoje são secundárias. As melhores ficaram pra trás, mas tem artistas bons aí. É só procurar saca? Mas pode crer que a maioria é ruim e muito ruim mesmo, tipo Cansei de Ser Sexy (risos), por exemplo. Aquilo é uma piada. Os bons não vou citar porque ajudei muita gente e nunca fui citado.
Conte-nos um pouco da sua trajetória no registro de suas canções. Como você começou a gravá-las e como as grava hoje em dia?
>>> É, antigamente era muito caro gravar e ainda ficava uma bosta. Sempre fui um compositor compulsivo, mas não consigo recurso pra gravar da forma que quero mais. Agora gravo em Pro Tools e o melhor esta por vir. Quando as pessoas pensarem que o último disco será a cartada, tenho um trunfo na manga que ninguém espera sobre um produtor foda. Talvez o mais foda de todos. Estamos trocando umas figurinhas, mas isso é outro papo. Só posso dizer que Arnaldo, dos Mutantes, é padrinho da banda dele.
Além do Space Bossa, você está envolvido com outros projetos musicais?
>>> Sim, com o meu evento beneficente, o Indispensável. E talvez eu apareça com um projeto novo chamado Psicodrops, mas tem que ser tudo arquitetado direito, pois será um parâmetro musical bem diferente do Space Bossa. Tenho que deixar a poeira baixar pois estou acreditando muito neste próximo disco. Só falta uma música pra terminar o projeto.
Conte-nos um pouco mais sobre este seu evento beneficente.
>>> É… Acho covardia fazer eventos pra ganhar dinheiro em cima do trabalho da banda. Por aqui é tudo deprimente. As pessoas fazem eventos horríveis pra ganhar dinheiro só com bandas covers deprimentes, pois são artistas frustrados que querem ser os artistas verdadeiros. O pior é que tem gente que paga pra ir nesses lugares com um som horrível. O público é mais engraçado do que o de baile funk. Os organizadores acreditam que estão fazendo “O Evento”. Pensam que são o Medina e que estão fazendo o Rock In Rio (risos). Eu, no entanto, faço a parada estruturada com som bom, maneirasso, sempre com bandas com sons autorais. Já trouxe o Moptop, o Charme Chulo de Curitiba, o Leela, o Min, o Cigarettes. Enfim… Pergunte a essas bandas como foi o evento. Eles sempre foram gratos e acharam um sonho a qualidade do Indispensável Festival, que vai voltar este ano revelando novos talentos indies. Apenas indie, nada de modismos.
O que você tem ouvido ultimamente?
>>> Cara, não consigo parar de ouvir Stone Roses. Eles mudaram minha vida. Antes eu era fã de Smiths só que eu era muito cabeça e acho que essa pretensão de ser poeta e tal é coisa de anos 80. Agora, os anos 90 foram, com certeza, a melhor fase das bandas indies. As famosas gringas atuais pra mim são deprimentes. Prefiro ouvir Low Dream e Brincando de Deus do que ouvir Strokes. Como posso ouvir um som que os caras tocam menos que eu. Quem viu e pode ver e tem certeza disso. Quando o Primal Scream veio ao Brasil, destruiu todas as bandas que já tocaram no Tim Festival e no baixo estava o baixista do Stone Roses (risos).
Só mais uma última pergunta pra esclarecer. O seu nome é Wild mesmo?
>>> É, podem acreditar (risos). Nunca gostei de nome artístico, acho isso muito cafona, mas a origem do meu nome é muito engraçada. Foi por um erro! Meu nome seria Will Robson, por causa da série dos anos 60, Perdido no Espaço, mas como meu pai é filho de espanhol e me registrou no Brasil, com o sotaque na hora do registro o tabelião errou ao registrar ficando Wild Robson. Acho que ficou mais original, assim como meu som, minhas guitarras e minhas influências, que já vieram de berço. Aos 5 anos fui abduzido e aí sim começou a história do Wild Space Bossa (risos)
Nós agradecemos muito pela oportunidade! Sucesso pra vocês!

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